Projeto de divulgação da memória do Marabaixo, maior tradição cultural do Amapá
Mostrando postagens com marcador evento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador evento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de março de 2017

Exposição em Belém ultrapassa a marca de 100 visitantes

Foto: Fabio Gomes


Mais de cem pessoas já visitaram a exposição As Tias do Marabaixo, do jornalista, fotógrafo e cineasta Fabio Gomes, na Galeria Theodoro Braga, localizada no Centur, em Belém. A mostra em homenagem às pioneiras Tia Zefa, Tia Chiquinha (in memoriam), Tia Biló, Natalina e Tia Zezé pode ser vista até o próximo dia 12 de abril.

Os visitantes poderão ver num mesmo ambiente as 18 fotos já expostas em 2014 na Fortaleza de São José de Macapá e os cinco curtas-metragens lançados em 2015. Para que os curtas sejam exibidos de modo contínuo, foi criado um espaço de cinema dentro da galeria.

- Esta exposição é o maior evento dedicado ao projeto As Tias do Marabaixo, iniciado há três anos – comenta Fabio Gomes. – Fotos e curtas já haviam sido apresentados juntos antes em Salvador (BA) e Paraíso (TO), mas sempre em eventos de um dia. A exposição em Belém vai ficar em cartaz praticamente um mês.

Aberta em 15 de março, a mostra tem recebido tanto visitantes avulsos quanto grupos. Entre eles, uma caravana de alunos da Aliança Francesa de Belém, que fizeram um passeio ciclístico por praças e galerias de arte da capital paraense na manhã do domingo, 19 de março. A galeria abriu neste horário especialmente para recepcionar o grupo. Outra visita de destaque foi a de alunos do projeto Cirandas de Histórias e Mil Leituras, da Creche Lar Cordeirinhos de Deus, no dia 20 (com Fabio Gomes na foto ao lado, de autoria de Ricardo Andrade).

A mostra também marca o início da cooperação entre a Galeria Theodoro Braga e o Cinema Líbero Luxardo, igualmente localizado no Centur. Desde o dia 22 de março, as sessões do cinema são abertas por uma chamada convidando os espectadores para visitarem a galeria. Todas as fotos da exposição foram incluídas no vídeo, que tem como trilha sonora Tia Zezé cantando o ladrão de sua autoria "O Remo".  





A exposição As Tias do Marabaixo foi selecionada no Edital Pauta Livre 2017, que integra o Programa Seiva de Incentivo à Arte e à Cultura da Fundação Cultural do Pará.

Serviço

Exposição As Tias do Marabaixo
Galeria Theodoro Braga (Centur)
Av. Gentil Bittencourt, 650, subsolo – Nazaré – Belém
Segunda a sexta, 9h às 18h
Entrada gratuita
O artista fica à disposição para conversar com o público diariamente das 16h às 17h30.

domingo, 2 de outubro de 2016

Exposição "As Tias do Marabaixo", dois anos depois

Fotos: Prsni Nascimento -15.9.14


No dia 15 de setembro, completaram dois anos da abertura da exposição As Tias do Marabaixo no Amapá Garden Shopping (Macapá). A mostra reuniu 16 fotografias de minha autoria e esteve aberta ao público durante todo o horário de funcionamento do shopping, até o final do mês de setembro de 2014 - ou seja, 16 dias ininterruptos. 

É sem dúvida alguma o ponto alto até aqui da minha carreira como fotógrafo. Já defini este evento certa vez como a maior homenagem que já recebi (uma homenagem, aliás, no qual eu presto também a minha homenagem às Tias Biló, Chiquinha, Zefa, Zezé e à dona Natalina). 

Não foi a primeira exibição pública das fotos que fiz durante as filmagens das entrevistas com as Tias (realizadas em maio e junho de 2014 e filmadas pela equipe da Graphite Comunicação, que contratei). A exposição já havia sido mostrada em agosto no Barracão Dona Gertrudes do Berço do Marabaixo e na Escola Estadual Oneide Pinto Lima. Cheguei a propor à gerência de Marketing do shopping que fossem usados os banners que já estavam prontos, porém não foi difícil para Kelly Paulino, que me formulou o convite para expor, me mostrar que este material ficaria meio 'diluído' num espaço grande como os corredores do Garden. Por esse motivo, o shopping bancou o custo de novas ampliações das imagens, em papel fotográfico, sem adicionar seu logotipo ou qualquer outra coisa às fotos, e me presenteando com estas cópias ao final da mostra. Um gesto raro vindo de uma empresa, temos que convir.

Aliás, como um todo, a proposta do estabelecimento era muito além das minhas melhores expectativas - simplesmente foi criado um ambiente dentro do shopping para a exposição.  Quem chegava pela entrada principal primeiro via o cartaz (foto ao lado - a imagem escolhida apresenta Tia Chiquinha ao lado da dançadeira Laís Maciel) e mais adiante, ao final do corredor, encontrava o balcão onde posei para a foto feita pela amiga de sempre Prsni Nascimento, mais dois manequins (um adulto e um infantil) com roupas das dançadeiras do Marabaixo, cedidas por Celia Ayres, e as fotos, fixadas em cavaletes de madeira, cada uma com sua respectiva legenda, e sem nada mais que desviasse a atenção das imagens. Sobre o balcão havia ainda o livro de assinaturas dos visitantes, um manequim com uma das camisas das Tias (as camisas estavam à venda desde agosto; a princípio achei que a exposição iria impulsionar as vendas, mas só uma camisa foi vendida, e ainda assim no último dia) e os cartões-postais, outro presente que recebi do Amapá Garden. Os postais foram uma ideia da própria Kelly, que no dia da reunião onde combinamos tudo sobre a exposição, em 13 de agosto, já tinha prontos alguns modelos. No total, foram 5, que durante o período da mostra eram trocados por notas de compras dentro do shopping.


Kelly Paulino com os postais em homenagem
a Tia Zefa (à esquerda) e Natalina

Procurei estar todos os dias, ao menos por algumas horas, no shopping durante o período da exposição. Recebi a visita de algumas escolas e de duas turmas da Unifap (a Universidade Federal do Amapá, localizada exatamente em frente ao Garden), das professoras Piedade Lino Videira (autora de um importante livro sobre o Marabaixo, lançado em 2009: Marabaixo, dança afrodescendente: significando a identidade étnica do negro amapaense) e Íris Moraes. Várias equipes de reportagem também estiveram no local, seja me entrevistando, seja captando imagens. 

Porém nenhuma visita foi mais importante do que a de três das próprias homenageadas. Tia Zezé esteve presente na abertura (foto acima).

Posteriormente, também foram conferir a exposição as famílias de Tia Zefa e Natalina. 

Josefa Ramos e Tia Zefa - visita à exposição 
em 21.9.14 (Foto: Fabio Gomes)

Natalina apreciando o postal com  sua foto
- 28.9.14 (Foto: Fabio Gomes)


Após o final desta exposição, as fotos encomendadas pelo Garden não foram mais exibidas publicamente. Nas mostras seguintes - tanto aqui em Macapá, na Fortaleza de São José de Macapá e nas escolas estaduais Cecilia Pinto e Raimunda Virgolino, além da Unifap e do Centro Cultural Tia Biló; quanto na itinerância por Tocantins, Bahia e Rondônia -, os visitantes tiveram contato com os banners originais, que têm a vantagem de já terem impressa junto a cada imagem a sua respectiva legenda. 

Tenho certeza que a realização desta exposição, em especial nesse momento em que eu recém acabara de filmar as entrevistas, foi fundamental para a grande repercussão que o projeto As Tias do Marabaixo ganhou junto à sociedade macapaense, gerando mais adiante desdobramentos como o lançamento de uma série de cinco curtas-metragens, em 2015, já exibidos no Amapá, Tocantins, Bahia, Rondônia e Pará (além de mostrados parcialmente em emissoras de televisão do Amapá e do Pará) e o projeto do livro com uma seleção de fotos que fiz de festas de Marabaixo de 2013 até 2016. Estou trabalhando na finalização do livro; a edição propriamente dita depende da captação de valores, mas acredito que ele possa ser lançado até o próximo ano. O projeto será concluído com o lançamento do documentário de longa-metragem, que irá contar com material captado entre 2012 e 2016. Devido ao custo de finalização de um longa ser bastante elevado, não há como estimar no momento uma data para o lançamento deste filme. 

  • Para ver todas as imagens que fazem parte da exposição itinerante As Tias do Marabaixo, clique aqui.

domingo, 29 de novembro de 2015

Fotos das Tias no Wasabi Pocket Show

No dia 6 de novembro, duas fotos de autoria de Fabio Gomes que fazem parte da exposição As Tias do Marabaixo foram expostas no varal fotográfico do Wasabi Pocket Show, evento realizado em Paragominas (PA). 

O evento foi uma iniciativa da cantora Mai Momonuki, que escolheu pessoalmente as fotos a serem expostas (saiba mais aqui). 

  • Em 7/11, os cinco curta-metragens da série As Tias do Marabaixo seriam exibidos na abertura do primeiro Sabailinho, no restaurante Azul com Laranja, em Porto Velho (RO). A exibição não foi possível por questões técnicas. Até o momento, não estão programadas novas exibições dos filmes ou da exposição. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Apresentações do projeto na Bahia


Cuiabá - A viagem para divulgação do projeto As Tias do Marabaixo junto a entidades culturais que possam vir a contratar a mostra das fotos e dos curtas-metragens se aproxima do final. Saí de Macapá em junho, logo após as comemorações do Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho) e devo estar de volta para o Encontro dos Tambores (segunda quinzena de novembro). 

Na viagem, passei inicialmente por Belém, Palmas, Paraíso do Tocantins (onde fiz a primeira mostra do projeto fora do Amapá), dali seguindo para a Bahia, onde planejava ficar 3 semanas e acabei permanecendo 3...meses. A estada prolongada na chamada "Boa Terra", além de muito agradável em termos pessoais, também me ajudou a dar uma nova cara ao projeto. Foi em Salvador que estruturei uma nova atividade cultural, a minha Oficina de Cinema Independente, onde divido com os participantes minha experiência em ter realizado os curtas d'As Tias, falando sobre cinema independente, montagem e finalização, festivais de cinema e mercado exibidor. 

Chegando a Salvador em 24 de julho, de imediato contatei as Secretarias de Cultura, no âmbito municipal e estadual e obtive os contatos do principal SESC da cidade (o Sesc-Senac Pelourinho), que me informou que receberia projetos culturais apenas a partir de novembro. Da capital, portanto, eu poderia ir a Jequié, cidade próxima a Vitória da Conquista, onde já estava acertada uma exibição dos curtas, e dali seguir viagem para outros estados. A ida a Jequié, porém, teve algumas mudanças de data: seria em 6 de agosto, ficou para o dia 13 e, devido a uma paralisação de funcionários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), acabou transferida para 11 de setembro. Essa pausa foi muito bem aproveitada, devo dizer: usei-a para estruturar o conteúdo da Oficina de Cinema, e já comecei a oferecer sua realização para diversas instituições culturais e também de ação social da Bahia. Também coloquei a Oficina à disposição da UESB, de modo que a ida a Jequié em setembro não era mais apenas para exibir os curtas, mas também para realizar na cidade a primeira edição da Oficina. Lá, entre os dias 11 e 13 de setembro, exibi os curtas-metragens d'As Tias do Marabaixo pela primeira vez fora da região Norte, e aproveitei para rodar mais um curta com temática negra e feminina: Você é África, Você é Linda, lançado no YouTube em outubro. Meus agradecimentos à direção da UESB e a Selma de Oliveira, que fez a produção local da Oficina e também atuou no meu novo curta. 


Exibição dos curtas em Jequié - 11.9.15


De volta a Salvador, optei por ficar mais um mês, a fim de contatar instituições dos dois campos (social e cultural) que pudessem se interessar tanto pelo projeto Tias do Marabaixo quanto pela Oficina de Cinema. Aproveitei também alguns eventos, como o seminário Juventude Negra de Terreiro - Desafios do Mundo do Trabalho, realizado no Centro Cultural da Câmara de Salvador em 25 de setembro, para divulgar as duas iniciativas. 

Quando minha estada se aproximava do final, tive uma agradável surpresa: a Diretoria de Bibliotecas Públicas do Estado da Bahia, um dos órgãos da Secretaria Estadual da Cultura, me convidou para apresentar o projeto na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, no bairro dos Barris. Trata-se da mais antiga biblioteca do Brasil, em funcionamento ininterrupto desde 1811. A princípio, os curtas seriam incluídos em uma das sessões regulares de cinema promovidas pela Biblioteca, programada para o dia 14 de outubro. Mas a direção da Dibip optou por fazer um evento especificamente para mostrar na capital baiana as fotos e os curtas d'As Tias do Marabaixo, no dia 13 de outubro, o que muito me honra e mostra o respeito que esta instituição cultural baiana tem pelo projeto que divulga a cultura popular do Amapá. Na foto que abre o post, vemos alunas do Colégio Estadual Senhor do Bonfim, de Salvador, visitando a exposição de fotos, montada no corredor da Biblioteca. Na foto abaixo, apareço conversando com estudantes desta mesma escola, após a exibição dos filmes. No espaço para perguntas, os jovens baianos se mostraram curiosos sobre se haveria presença de culto aos orixás do Candomblé nas festas de Marabaixo (ao que respondi que não, o Ciclo do Marabaixo festeja o Divino Espírito Santo e a Santíssima Trindade). 

Não há como descrever a minha satisfação ao ouvir estes adolescentes nordestinos se dizendo encantados com a vitalidade de Tia Zefa. Ou definindo como "divo" o chapéu que Tia Chiquinha costumava usar. Ou ainda cantando, ao sair da sala de projeção, o refrão da música que faz parte do curta que homenageia Tia Biló: É de manhã, é de madrugada... 

Nesta reta final da viagem, com tempo menor de permanência nas etapas seguintes (Goiânia e Cuiabá, onde me encontro), estou priorizando os contatos com as instituições culturais, mas ainda devem acontecer apresentações do projeto em Rondônia (a confirmar) e Roraima nas próximas semanas. Informarei assim que puder!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Estreia do projeto em Paraíso (TO)

Foto: Cláudio Macagi


No dia 22 de julho, realizei em Paraíso (TO) a primeira mostra do projeto As Tias do Marabaixo fora do Amapá. O evento aconteceu na Oficina Geral, a convite do gestor do espaço, Cláudio Macagi. O público que compareceu (numa data em que a Oficina abriu especialmente para o evento, já que não funciona regularmente às quartas no mês de julho) pôde conferir a exposição com 18 fotos do making-off do doc As Tias do Marabaixo e assistir aos cinco curtas-metragens já lançados. 

Falei um pouco sobre o projeto antes da projeção dos curtas. No debate que se seguiu à exposição, algumas pessoas destacaram pontos que viam em comum entre o Marabaixo e outras manifestações culturais brasileiras de matriz africana, e manifestando sua admiração por conhecer mais sobre a cultura negra do extremo Norte do Brasil. 

Agradeço a Cláudio Macagi o convite para realizar o evento em seu espaço, e também expressar minha gratidão aos amigos André Donzelli "Porkão" pelo apoio em minha estada em Palmas, e a Eduardo Mesquita e Pedro Fernandes pelo "help" na minha breve passagem por Goiânia (cerca de 12 horas, período que decorreu entre minha chegada vindo de Belém e minha partida para Palmas). Do Tocantins, segui para a Bahia, continuando a viagem de divulgação do projeto. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Curtas serão apresentados pela primeira vez fora do Amapá

Nesta quarta, 22 de julho, será realizada a primeira sessão dos curtas da série As Tias do Marabaixo fora do Amapá. 

O evento acontece na Oficina Geral, em Paraíso (TO), cidade distante 63 da capital, Palmas. As fotos que retratam o making off das filmagens também estarão em exposição no local. 

Após a sessão, o diretor dos filmes, o jornalista Fabio Gomes (ao lado, em foto com Tia Chiquinha) conversa com o público presente. Encerrando a noite, haverá uma roda com músicos apresentando trabalhos autorais. 

Serviço

Mostra dos curtas As Tias do Marabaixo
Oficina Geral
Paraíso, TO
Quarta, 22/7, 20h


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Como medir a felicidade?


Na noite de 5 de junho, sexta-feira passada, aconteceu a exibição pública dos cinco curtas que compõem a série As Tias do Marabaixo, durante a segunda edição, no Bar do Nêgo, do Projeto Vitrola Cultural, coordenado pela socióloga Patrícia Pinheiro e que conta com os DJs Ronnie Santos, Flávio Gutembergue e Jader Roots; o projeto visa resgatar a cultura de ouvir música em vinil, e também abre espaço para outras manifestações culturais. Em plena orla de Macapá, a poucos metros do rio Amazonas, o maior rio do mundo, quem esteve presente pode ver, pela primeira vez num único evento, a série completa (os curtas já haviam sido exibidos em dois eventos do grupo poético Pena e Pergaminho, sendo três num evento e dois no outro). Não tenho palavras para expressar minha satisfação e alegria com o convite e mais ainda com a efetiva exibição. Naturalmente, por se tratar de uma apresentação num bar - espaço onde exibições de filmes são raras -, o nível de atenção foi bem diverso do que observei quando da mostra nos encontros do Pena e Pergaminho: enquanto algumas pessoas simplesmente ignoravam os filmes, houve quem levantasse da cadeira e começasse a dançar! Um momento muito feliz que aconteceu quase no encerramento, perto de 1h da manhã, quando começamos a exibir o curta final, Tia Zezé no Encontro dos Tambores.

Sei bem que ainda não se inventou um modo de medir a felicidade. Mas também tenho a plena certeza de que mais feliz ainda foi não um momento só, mas uma noite inteira, pouco mais de três semanas antes da noite citada acima. Me refiro à noite de 13 para 14 de maio, a Quarta-Feira da Murta do Divino Espírito Santo. Apenas duas das casas que celebram anualmente o Ciclo do Marabaixo em Macapá comemoram a Quarta da Murta do Divino, ambas no bairro do Laguinho - a Casa do Mestre Pavão, sede da Associação Folclórica Marabaixo do Pavão, e o Centro Cultural Tia Biló, da Associação Cultural Raimundo Ladislau. O motivo é que estas duas casas homenageiam igualmente o Divino Espírito e a Santíssima Trindade, enquanto as outras casas (Barracão Tia Gertrudes e Associação Zeca e Bibiana Costa, ambas no bairro da Favela, e Herdeiros do Marabaixo, do distrito de Campina Grande) festejam apenas a Santíssima Trindade. 

Quem acompanha o projeto As Tias do Marabaixo sabe que meu intuito é homenagear cinco senhoras negras que são consideradas memórias vivas do Amapá: Tia Zefa, Tia Chiquinha, Tia Biló, Natalina e Tia Zezé. Diante, porém, do ocorrido na Quarta da Murta do Divino na sede da Associação Raimundo Ladislau, eu não pude deixar de me sentir homenageado também. Nesta noite, a convite de minha amiga Laura do Marabaixo, neta da Tia Biló, os banners com as fotos da minha exposição "As Tias do Marabaixo" ficaram expostoas durante todo o tempo da festa (ou seja, de 18h até o amanhecer, praticamente 13h). Mais que isso: as fotos foram dispostas de modo a estarem no centro da roda formada pelos dançarinos de Marabaixo, que assim faziam a festa em volta das imagens que retratavam a própria festa! Com toda a certeza foi um dos momentos mais felizes de toda a minha vida. :)

O Ciclo do Marabaixo 2015 encerrou neste domingo, 7 de junho, com a derrubada dos mastros nas cinco casas que celebram anualmente a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo. Na próxima semana, acontece na Praça da Bandeira programação alusiva ao Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho). Depois disso, sigo para algumas semanas em Belém, a caminho de  Taquaruçu, distrito de Palmas, onde os cinco curtas serão exibidos no Cine Mutum, evento paralelo ao Mutum - 1ª Mostra de Música Instrumental e Cultura Popular do Tocantins, que acontece de 10 a 12 de julho. O caráter alternativo das exibições relatadas neste texto também se estende à viagem: pretendo percorrer vários estados com a exposição e os curtas evitando o uso de avião sempre que isso seja possível - vou de Macapá para Belém de navio, e de lá para Palmas de ônibus (no caso, indo primeiramente do Pará para Goiás, e de lá pro Tocantins).


segunda-feira, 30 de março de 2015

Família da pioneira Natalina Costa prepara o Ciclo do Marabaixo da Favela de 2015

Texto: Mariléia Maciel

Fotos: Fabio Gomes


No Sábado da Aleluia, 4 de abril, às 16h, iniciam os festejos do Ciclo do Marabaixo, na casa da pioneira Natalina Costa, realizado pela Associação Cultural Berço do Marabaixo da Favela, com uma extensa programação que se prolonga até o mês de junho. Na antiga Favela, atualmente bairro Santa Rita, a homenagem é para a Santíssima Trindade, e as cores azul e branca predominam durante as festas religiosas e lúdicas, onde a cultura, tradição e memória são preservadas ao ritmo de caixas de marabaixo e louvores, intercalando as atividades religiosas com as lúdicas.   




Este ano os festeiros responsáveis são Iracema Oliveira e José Maria Costa, descendentes de famílias tradicionais que seguem o ritual secular, herança deixada por antepassados que dançavam o Marabaixo no centro de Macapá, de onde saíram para povoar os bairros Laguinho e Favela. O Ciclo do Marabaixo faz parte do calendário oficial de cultura do estado e é seguido nos dois bairros, com início na Semana Santa e encerramento no dia de Corpus Christi, com rodadas de Marabaixo, missas, ladainhas e baile.

Na Favela o Ciclo inicia no Sábado da Aleluia com o Marabaixo da Aceitação, e continua com outras rodadas de Marabaixo. No dia 9 de maio é o Sábado do Mastro, quando os grupos que realizam os festejos seguem para as matas do Quilombo do Curiaú, onde retiram os mastros, que na Favela será enfeitado no dia 24, o chamado Domingo da Murta, e levantado no dia seguinte, às 7h, ao som de caixas de Marabaixo. O dia 31, é  dedicado às crianças, que inicia com a missa e segue com tradicional Almoço dos Inocentes, seguida da tarde de brincadeiras.

Valdinete Costa, neta de Gertrudes Saturnino, que na década de 40 trouxe a família para a Favela, explica que a tradição continua, porém algumas adaptações foram feitas para que se adequasse à realidade. “O Almoço dos Inocentes iniciou com uma promessa feita por vovó Gertrudes para que a mamãe, Natalina, engravidasse. Com a bênção alcançada, a promessa foi cumprida, e o almoço para 12 crianças, representando os apóstolos, continua até hoje”.


A urbanização do bairro obrigou a mudanças, como os fogos, que atualmente são estourados até 22h e o som que reproduz as caixas, que não ficam no limite máximo. A consciência ambiental é trabalhada com as crianças, e atualmente, apenas um mastro é retirado da mata, o outro é de acrílico. O que vem do Curiaú são mudas de plantas que as crianças plantam na vizinhança. O compromisso com a história também é importante na Favela, e no ano passado foi inaugurada a Biblioteca Gertrudes Saturnino, com obras literárias e de arte de artistas com trabalho voltado para a cultura afro.


Programação do Berço do Marabaixo da Favela

4 de abril
16h - Abertura do Ciclo do Marabaixo da Favela - Marabaixo da Aceitação

1º de maio
16h - Marabaixo do Trabalhador

9 de maio - Sábado do Mastro
8h -  Buscar mastro no Curiaú

22 de maio
19h – Início da Novena da Santíssima Trindade
20h – Baile dos Sócios

De 22 à 30 de maio – 19h
Novena da Santíssima Trindade

24 de maio – Domingo do Mastro
20h - Marabaixo da Murta – Amanhece para o dia 25, para levantar o mastro

31 de maio
7:30 – Missa na Igreja da Santíssima Trindade
9:00 – Café da manhã no barracão da Gertrudes
12:00 – Almoço dos Inocentes
14:00 – Início da tarde de lazer com as crianças da comunidade

4 de junho
Marabaixo de Corpus Christi

7 de junho
Encerramento do Ciclo do Marabaixo da Favela

Local: Barracão da Tia Gertrudes
Av: Duque de Caxias, entre Manoel Eudóxio e Professor Tostes




domingo, 29 de março de 2015

Curtas tiveram primeira exibição pública nesta sexta



Na noite desta sexta, 27 de março, aconteceu durante o 3º Aniversarau do Pena & Pergaminho a primeira exibição pública dos curtas da série As Tias do Marabaixo. O evento foi realizado no auditório do Centro Cultural Franco-Amapaense, que pode ser apontado, creio eu, como o lugar que mais sediou encontros desse grupo poético, que já se reuniu publicamente mais de 30 vezes (outros encontros já aconteceram na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e mesmo numa escola de idiomas).

A exibição abrangeu os 3 curtas já lançados, os em homenagem a Tia Zefa, Tia Chiquinha e Tia Biló. Antes da exibição, que aconteceu logo no início do evento, após a tradicional leitura coletiva de poemas, eu pude conversar com a platéia, contando um pouco sobre o processo de realização do documentário e lembrando as etapas já percorridas, em especial as filmagens e as exposições de fotos realizadas no ano passado. Após a exibição, a platéia pôde fazer perguntas, e apenas a poetisa Mary Paes fez uso da palavra - ela, que também não é amapaense (nasceu no Mato Grosso), quis saber da minha motivação para registrar aspectos da história do Marabaixo, uma tradição cultural que só existe no Amapá. Respondi que, como jornalista cultural, vejo que há duas correntes em minha profissão - uma que se satisfaz ao falar exatamente o que todo mundo já está falando, e outra que busca conteúdos originais para levar a seu público, e me incluindo fortemente nesse segundo grupo. Inicialmente a ideia seria registrar os depoimentos destas cinco senhoras apenas em áudio, porém devido a uma sugestão de Andreia da Silva Lopes, que achou melhor fazer as gravações em vídeo, decidi então encarar o desafio de tornar o projeto algo de cinema (literalmente - risos  - pena que na hora não me ocorreu esta metáfora).

Devo dizer que para mim foi uma grande alegria o convite, afinal boa parte dos participantes do Pena são meus amigos, e frequento seus encontros desde 2012, ou seja, antes mesmo de residir em Macapá. Considerando estes fatores, em especial ser uma plateia seleta, composta por artistas e/ou consumidores de produtos culturais com boa formação, é que não vi problemas em abrir uma exceção para fazer esta exibição pública antes mesmo de ter concluído os cinco curtas previstos - ainda faltam os em homenagem a Natalina e Tia Zezé. 

Quase houve uma exibição antes mesmo desta - na véspera, eu fui ao bar Diretoria, onde os curtas seriam exibidos no evento Quinta das Artes, produzido pela Andreia Lopes (ou seja, outro convite irrecusável), porém não foi possível mostrar os filmes porque o sistema do local não leu o formato dos arquivos que eu levei). Estamos vendo outra data e também meios de contornar essa questão técnica.

Para finalizar, quero, nas pessoas de Tiago Quingosta, Lara Utzig e Auridan Júnior agradecer a oportunidade desta exibição. Não tem como descrever minha emoção quando o público presente, talvez mais de 50 pessoas, me aplaudiram tão logo começou a aparecer na tela os créditos do curta Tia Biló, o último a ser exibido. : ' )


  • A previsão de conclusão dos cinco curtas é até final do mês de abril. Seguiremos o que já vem sendo feito: lançamento no YouTube e no Facebook, com postagens neste blog e no Som do Norte. Tão logo os cinco estejam prontos, pretendemos circular com eles nas escolas de Macapá e municípios vizinhos. Aliás, já na sexta, lá mesmo no Aniversarau, uma escola já nos convidou! 




quinta-feira, 26 de março de 2015

Nesta sexta a primeira exibição pública dos curtas em Macapá

Acontece em Macapá nesta sexta-feira a primeira exibição pública dos três curtas já lançados da série As Tias do Marabaixo, de Fabio Gomes.

Será no 3º Aniversarau do Pena & Pergaminho (ver cartaz ao lado) - o P& P é um grupo poético criado há 3 anos em Macapá e que mantém uma regularidade de encontro mensal de seus membros, aberto à população em geral e gratuito. 

Anualmente, em março, o aniversário do grupo é comemorado com um evento mais grandioso que a média, e é isto que teremos amanhã, tod@s estão convidad@s!





sábado, 10 de janeiro de 2015

Participação na homenagem ao Dia do Fotógrafo

Hoje o fotoclube Fotógrafos Anônimos, de Macapá, realizou uma "intervenção fotohomenagem" para comemorar o Dia do Fotógrafo, que ocorreu no dia 8. Já de manhã cedo integrantes do coletivo estavam na alameda Francisco Serrano, no centro da capital, para colocar em muros, varais e garrafas (!) trabalhos que diversos fotógrafos encaminharam ao longo da semana. Participamos com um postal com a foto de Tia Zefa, imagem esta que faz parte de nossa exposição itinerante As Tias do Marabaixo. As fotos permaneceram em exposição até o final da tarde. 

Montagem da exposição



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Museu Fortaleza de São José recebe a exposição As Tias do Marabaixo


A exposição As Tias do Marabaixo volta a estar disponível ao público em geral, depois de uma série de exibições voltadas para escolas. As fotos estarão na Galeria de Arte do Museu Fortaleza de São José de Macapá no período de 28 de novembro (sexta) a 7 de dezembro (domingo), no horário de 8 às 18 (terças a domingos). A visitação tem entrada franca.

Além de ser uma das edificações mais antigas da capital amapaense (a Fortaleza foi construída entre 1765 e 1782), o prédio tem ligação com a origem do Marabaixo, já que a obra motivou a vinda de grande número de escravos negros para trabalhar na construção. Parte destes escravos, ao fugir, criou o quilombo do Curiaú, um dos locais onde se estima que o Marabaixo possa haver começado.

Ao contrário da mostra aberta ao público anterior, realizada no Amapá Garden Shopping em setembro, na qual foram apresentadas cópias em papel das fotos do jornalista Fabio Gomes, na Fortaleza os visitantes poderão ver os mesmos banners que têm percorrido as escolas de Macapá.

No domingo, 30 de novembro, Fabio Gomes palestrará sobre o projeto As Tias do Marabaixo para cerca de 600 visitantes vindos da Alemanha em um cruzeiro marítimo.

A Fortaleza está localizada na rua Cândido Mendes, entre Antônio Coelho e Henrique Galucio, no centro de Macapá, às margens do rio Amazonas.

Escolas podem agendar visitas diretamente na Biblioteca do Museu Fortaleza de São José de Macapá, ou pelo fone 99148-2988, com Vilma. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Evento: Exposição As Tias do Marabaixo no Amapá Garden Shopping

Foto: Prsni Nascimento


Abriu ontem no Amapá Garden Shopping (Macapá) a exposição As Tias do Marabaixo, com 16 fotos de Fabio Gomes ampliadas especialmente para a ocasião. 

Estiveram presentes no local, entre outros, a Tia Zezé, uma das entrevistadas de nosso documentário, e Andreia da Silva Lopes, parceira do projeto. 

A exposição pode ser visitada  no local de segunda a domingo, das 10 às 22h, até o dia 30.

O shopping criou uma promoção ligada à mostra: qualquer nota de compra em loja do Amapá Garden, não importando o valor, dá direito à troca por um cartão-postal exclusivo. São cinco modelos, todos com fotos da exposição. Confira os postais abaixo: