Projeto de divulgação da memória do Marabaixo, maior tradição cultural do Amapá
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Curtas foram exibidos em aula de História da Unifap

 Foto: Fabio Gomes

Agora pela manhã, estive palestrando sobre o projeto As Tias do Marabaixo para alunos do curso de História da Universidade Federal do Amapá (Unifap), a convite da professora Iris Moraes. Exibi quatro dos curtas lançados no ano passado (o filme sobre Tia Chiquinha será mostrado durante a apresentação de um trabalho de alunos sobre tradições afro-amapaenses). Foi a primeira vez que estive em uma universidade com evento do projeto (anteriormente, alunos da própria Iris e também da professora Piedade Lino Videira, também da Unifap, haviam visitado a exposição de fotos realizada no Amapá Garden Shopping, em setembro de 2014). 

Tive a felicidade de encontrar nesta manhã uma plateia atenta e interessada, que fez muitas perguntas, querendo saber sobre as discriminações que o Marabaixo sofre ainda hoje, aspectos de sua evolução histórica e ainda as diferenças do Marabaixo e do Batuque, entre outros temas. Vários alunos manifestaram a preocupação por não ver uma maior presença do Marabaixo e outras manifestações culturais populares nos currículos das escolas do estado.  



A estes futuros professores de História, tive o prazer de apresentar em primeira mão algumas páginas do livro As Tias do Marabaixo, que se encontra em fase de edição, com lançamento previsto para o primeiro semestre deste ano (na foto ao lado, o logotipo do livro). Comentei também sobre as recentes descobertas que fiz acerca das antigas festas de Marabaixo na localidade de Marabitanas, no interior do Amazonas - ao que tudo indica, tais festas já não existem atualmente no local. 

As fotos em que eu apareço são de autoria de Letícia Santos. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Estreia do projeto em Paraíso (TO)

Foto: Cláudio Macagi


No dia 22 de julho, realizei em Paraíso (TO) a primeira mostra do projeto As Tias do Marabaixo fora do Amapá. O evento aconteceu na Oficina Geral, a convite do gestor do espaço, Cláudio Macagi. O público que compareceu (numa data em que a Oficina abriu especialmente para o evento, já que não funciona regularmente às quartas no mês de julho) pôde conferir a exposição com 18 fotos do making-off do doc As Tias do Marabaixo e assistir aos cinco curtas-metragens já lançados. 

Falei um pouco sobre o projeto antes da projeção dos curtas. No debate que se seguiu à exposição, algumas pessoas destacaram pontos que viam em comum entre o Marabaixo e outras manifestações culturais brasileiras de matriz africana, e manifestando sua admiração por conhecer mais sobre a cultura negra do extremo Norte do Brasil. 

Agradeço a Cláudio Macagi o convite para realizar o evento em seu espaço, e também expressar minha gratidão aos amigos André Donzelli "Porkão" pelo apoio em minha estada em Palmas, e a Eduardo Mesquita e Pedro Fernandes pelo "help" na minha breve passagem por Goiânia (cerca de 12 horas, período que decorreu entre minha chegada vindo de Belém e minha partida para Palmas). Do Tocantins, segui para a Bahia, continuando a viagem de divulgação do projeto. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Projeto As Tias do Marabaixo é destaque em revista e site

Nesta semana, o projeto As Tias do Marabaixo foi destaque em outras mídias. Primeiramente, na revista Vanguarda Cultural - Uma Odisseia nos Trópicos, em sua primeira edição de 2015. A revista é editada em Macapá pelo artista Aroldo Pedrosa, que me convidou para escrever sobre o projeto em homenagem às senhoras do Marabaixo. Eram os primeiros dias de março, e escolhi para ilustrar a matéria duas fotos que eram até então rigorosamente inéditas - uma delas, na qual aparece Tia Chiquinha com uma bandeira do Brasil ao fundo, foi utilizada como imagem final do curta Tia Chiquinha, lançado em 8 de março.

O mesmo texto, com ligeiras adaptações, foi publicado na minha estreia como colunista do site Digestivo Cultural, de São Paulo, onde semanalmente irei relatar a itinerância do projeto. Clique aqui para ler. 





***

AS TIAS DO MARABAIXO,
O PROJETO


Em 15 de setembro de 2014, foi inaugurada no Amapá Garden Shopping, em Macapá, minha primeira exposição individual de fotos, intitulada As Tias do Marabaixo. Durante uma quinzena, os visitantes do local puderam ver 16 fotos minhas retratando Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, então os maiores nomes vivos do Marabaixo (Tia Chiquinha veio a falecer recentemente, em 18 de fevereiro). Até o final do ano passado, a exposição percorreu algumas escolas da capital e permaneceu 10 dias na Galeria de Arte do Museu Fortaleza de São José - nem em sonho eu imaginei que um dia meu trabalho estaria exposto num prédio histórico do século 18! Neste 13 de maio, 127 anos da Abolição da Escravatura, a exposição volta a ser exibida ao público, em outro lugar da maior importância: a casa onde viveu Mestre Julião Ramos, pioneiro do Marabaixo do Laguinho e pai de Tia Biló.



Tia Chiquinha (de chapéu), Josefa Ramos (com o microfone)
Tia Zefa (com a flor azul no cabelo) - 22.6.14


O projeto, porém, é bem mais abrangente (talvez o termo certo seja "ambicioso") do que apenas uma reunião de fotos - creio que basta dizer que as imagens expostas foram selecionadas de um total de mais de 3.600... Boa parte delas foi captada durante as filmagens de entrevistas com as senhoras citadas, e também em festas do Ciclo do Marabaixo 2014. O material filmado dará origem a um documentário de longa-metragem e cinco curtas, cada um deles dedicado a uma das entrevistadas. O primeiro curta, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014, foi lançado em 26 de fevereiro, dia em que a homenageada completou 99 anos. O quinto e último curta, em homenagem a Tia Zezé, foi lançado em 21 de abril. Já em relação ao longa não há como fixar uma data no momento. Classifiquei o projeto como "ambicioso" em virtude das outras ações previstas - além da exposição e dos filmes (e de uma coleção de camisetas temáticas), pretendo lançar dois livros, um com uma seleção de fotos, outro com a íntegra dos depoimentos captados, isso sem falar no lançamento, é claro, dos próprios filmes, curtas e longa, em DVD.


A ideia do filme começou a nascer em 8 de maio de 2013, quando, levado pela cantora Patrícia Bastos, estive na festa da Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo nas duas casas do bairro do Laguinho que a celebram: primeiro fomos à casa da Tia Biló, passando depois rapidamente pela sede do Grupo do Pavão, onde Patrícia me apresentou à Tia Chiquinha. A festa, o ambiente, a sensação de estar presenciando uma tradição viva e muito rica, sem similar com nada que eu já houvesse visto em minhas andanças pelo Brasil, me animaram a pensar numa série de entrevistas com estas senhoras que dedicaram sua vida ao Marabaixo, ajudando desta forma a preservar e difundir suas lembranças. Inicialmente, porém, eu planejava fazer as entrevistas em áudio, para veiculá-las em meu blog Som do Norte. Felizmente minha amiga Andreia da Silva Lopes, sobrinha de Tia Zefa, sugeriu que eu captasse o material em vídeo. "Sendo assim", respondi, "não tem porque restringir o material ao meu blog. Vamos fazer um filme logo duma vez!". Entrei em contato com a Graphite Comunicação, que recentemente lançara um clipe de animação de "Mal de Amor", e acertamos nove dias de gravação durante o Ciclo do Marabaixo de 2014. A primeira gravação foi no Curiaú, uma entrevista com Tia Chiquinha, em 7 de maio, praticamente um ano após a noite em que nos conhecemos. 

Depois ouvimos, pela ordem, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé (com quem gravamos numa noite de Marabaixo no Barracão Gertrudes Saturnino, no antigo bairro da Favela, hoje Santa Rita) e Tia Biló; além de quatro noites de festa, cobrimos também o Cortejo da Murta, que reúne grupos de Marabaixo de Macapá e cidades vizinhas, que vão da orla do Rio Amazonas até a Igreja de São José para buscar a bênção para os brincantes do Marabaixo. Esta tradição, interrompida nos anos 1940 quando o padre Júlio Maria Lombaerd impediu que os negros entrassem tocando caixa na igreja, foi retomada em 2012. O último dia de filmagens no Ciclo, 27 de junho, coincidiu com a data da festa pelos 94 anos de Tia Chiquinha (na verdade, completados na véspera). Posteriormente, em novembro, registrei em foto e vídeo quatro dias do 20º Encontro dos Tambores (que teve imagens utilizadas nos curtas sobre Tia Zefa, Natalina e Tia Zezé). 

O primeiro semestre de 2015 será dedicado ao lançamento dos curtas e sua exibição, bem como a continuidade da circulação da exposição, por instituições de ensino e espaços culturais de Macapá, além, é claro, dos barracões onde se realizam os festejos do Ciclo do Marabaixo. Para o segundo semestre, a intenção é, simultaneamente à preparação do longa-metragem, circular com os curtas por festivais de cinema Brasil afora.


terça-feira, 21 de abril de 2015

Último curta da série homenageia Tia Zezé

Entrou no ar hoje no canal do Som do Norte no YouTube o curta-metragem Tia Zezé no Encontro dos Tambores, que encerra a série de curtas homenageando as entrevistadas pelo projeto documentário As Tias do Marabaixo

Tia Zezé, nascida Maria José Libório em 1º de janeiro de 1940, é filha de Gertrudes Saturnino, pioneira do Marabaixo no bairro da Favela (hoje Santa Rita), em Macapá, e irmã de Natalina, homenageada em nosso quarto curta, lançado no Domingo de Páscoa. Quando nasceu, sua família residia no Formigueiro, cujo nome oficial hoje é Largo dos Inocentes; em 1947, as famílias negras moradoras da área precisaram desocupá-la, a pedido do governo, nascendo assim o bairro da Favela. Dois anos antes, processo semelhante levara os negros moradores da orla do rio Amazonas, nas proximidades da atual Praça do Côco (Zagury), a saírem dali e criarem o bairro do Laguinho. Tia Zezé se destaca por ser cantora e compositora de ladrões de Marabaixo e também por tocar caixa de Marabaixo. A Banda Placa produziu o CD Favela onde Tia Zezé interpreta suas composições e conta um pouco de sua trajetória. 

O vídeo apresenta novo trecho do show do grupo Berço do Marabaixo no mais recente Encontro dos Tambores, realizado no Centro de Cultura Negra de Macapá em 23 de novembro de 2014, com Tia Zezé cantando o Marabaixo de sua autoria "Toar dos Tambores". O curta Natalina também trazia um momento desse show, com o grupo cantando "Mão de Couro" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes). 



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  • Pré-estréia - Antes mesmo do lançamento no YouTube neste dia 21, o curta Tia Zezé no Encontro dos Tambores teve uma exibição especial no encontro mensal do grupo poético Pena & Pergaminho, no Centro Cultural Franco-Amapaense (Macapá), na sexta-feira, 17 de abril, junto com o curta Natalina. As fotos do evento são de autoria de Krollen Sousa. 



Fabio Gomes comentando 
o projeto, antes da exibição
Últimos ajustes na tela antes de começar 
a exibição do curta Natalina


sábado, 4 de abril de 2015

Na abertura do Ciclo do Marabaixo, nossa homenagem a Natalina

Anualmente, Macapá festeja o Ciclo do Marabaixo entre o Domingo de Páscoa e o Domingo do Senhor, o primeiro após o dia de Corpus Christi - são dois meses de festa em louvor à Santíssima Trindade (no bairro do Laguinho) e ao Divino Espírito Santo (no bairro da Favela, hoje Santa Rita). Já há algum tempo, a casa da dona Natalina Costa, um dos locais de festa na Favela, antecipa a abertura, comemorando o Marabaixo da Aceitação no Sábado de Aleluia.


Por esta razão, não haveria data melhor do que hoje para o lançamento do quarto curta da série As Tias do Marabaixo, que homenageia justamente dona Natalina. Este é o único vídeo da série que reúne cenas filmadas em dois momentos distintos - abre com a própria Natalina cantando um ladrão composto por sua mãe, dona Gertrudes Saturnino, à época da criação dos bairros da Favela e do Laguinho (anos 1940) e consequente divisão da população negra da cidade. Esta gravação foi feita pela equipe da Graphite Comunicação em 3 de junho do ano passado na biblioteca Gertrudes Saturnino, que fica anexa ao barracão que também leva o nome da pioneira.  Em seguida, temos o grupo Berço do Marabaixo, formado por familiares de Natalina (incluindo outra das entrevistadas do nosso doc, Tia Zezé), interpretando a música "Mão de Couro" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) no 20º Encontro dos Tambores (Centro de Cultura Negra do Amapá, Macapá), filmado por mim em 23 de novembro passado. 



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domingo, 29 de março de 2015

Curtas tiveram primeira exibição pública nesta sexta



Na noite desta sexta, 27 de março, aconteceu durante o 3º Aniversarau do Pena & Pergaminho a primeira exibição pública dos curtas da série As Tias do Marabaixo. O evento foi realizado no auditório do Centro Cultural Franco-Amapaense, que pode ser apontado, creio eu, como o lugar que mais sediou encontros desse grupo poético, que já se reuniu publicamente mais de 30 vezes (outros encontros já aconteceram na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e mesmo numa escola de idiomas).

A exibição abrangeu os 3 curtas já lançados, os em homenagem a Tia Zefa, Tia Chiquinha e Tia Biló. Antes da exibição, que aconteceu logo no início do evento, após a tradicional leitura coletiva de poemas, eu pude conversar com a platéia, contando um pouco sobre o processo de realização do documentário e lembrando as etapas já percorridas, em especial as filmagens e as exposições de fotos realizadas no ano passado. Após a exibição, a platéia pôde fazer perguntas, e apenas a poetisa Mary Paes fez uso da palavra - ela, que também não é amapaense (nasceu no Mato Grosso), quis saber da minha motivação para registrar aspectos da história do Marabaixo, uma tradição cultural que só existe no Amapá. Respondi que, como jornalista cultural, vejo que há duas correntes em minha profissão - uma que se satisfaz ao falar exatamente o que todo mundo já está falando, e outra que busca conteúdos originais para levar a seu público, e me incluindo fortemente nesse segundo grupo. Inicialmente a ideia seria registrar os depoimentos destas cinco senhoras apenas em áudio, porém devido a uma sugestão de Andreia da Silva Lopes, que achou melhor fazer as gravações em vídeo, decidi então encarar o desafio de tornar o projeto algo de cinema (literalmente - risos  - pena que na hora não me ocorreu esta metáfora).

Devo dizer que para mim foi uma grande alegria o convite, afinal boa parte dos participantes do Pena são meus amigos, e frequento seus encontros desde 2012, ou seja, antes mesmo de residir em Macapá. Considerando estes fatores, em especial ser uma plateia seleta, composta por artistas e/ou consumidores de produtos culturais com boa formação, é que não vi problemas em abrir uma exceção para fazer esta exibição pública antes mesmo de ter concluído os cinco curtas previstos - ainda faltam os em homenagem a Natalina e Tia Zezé. 

Quase houve uma exibição antes mesmo desta - na véspera, eu fui ao bar Diretoria, onde os curtas seriam exibidos no evento Quinta das Artes, produzido pela Andreia Lopes (ou seja, outro convite irrecusável), porém não foi possível mostrar os filmes porque o sistema do local não leu o formato dos arquivos que eu levei). Estamos vendo outra data e também meios de contornar essa questão técnica.

Para finalizar, quero, nas pessoas de Tiago Quingosta, Lara Utzig e Auridan Júnior agradecer a oportunidade desta exibição. Não tem como descrever minha emoção quando o público presente, talvez mais de 50 pessoas, me aplaudiram tão logo começou a aparecer na tela os créditos do curta Tia Biló, o último a ser exibido. : ' )


  • A previsão de conclusão dos cinco curtas é até final do mês de abril. Seguiremos o que já vem sendo feito: lançamento no YouTube e no Facebook, com postagens neste blog e no Som do Norte. Tão logo os cinco estejam prontos, pretendemos circular com eles nas escolas de Macapá e municípios vizinhos. Aliás, já na sexta, lá mesmo no Aniversarau, uma escola já nos convidou! 




quinta-feira, 26 de março de 2015

Nesta sexta a primeira exibição pública dos curtas em Macapá

Acontece em Macapá nesta sexta-feira a primeira exibição pública dos três curtas já lançados da série As Tias do Marabaixo, de Fabio Gomes.

Será no 3º Aniversarau do Pena & Pergaminho (ver cartaz ao lado) - o P& P é um grupo poético criado há 3 anos em Macapá e que mantém uma regularidade de encontro mensal de seus membros, aberto à população em geral e gratuito. 

Anualmente, em março, o aniversário do grupo é comemorado com um evento mais grandioso que a média, e é isto que teremos amanhã, tod@s estão convidad@s!





quinta-feira, 19 de março de 2015

No Dia de São José, nossa homenagem a Tia Biló

Hoje, 19 de março, é feriado em Macapá. Trata-se do dia consagrado a São José, padroeiro da cidade. Nesta data, em 1782, foi inaugurada a Fortaleza de São José, que Portugal mandou construir às margens do rio Amazonas para proteger a cidade. O dia todo terá diversas festas e comemorações em vários pontos da capital do Amapá.

Contribuindo com estas comemorações, programamos para hoje o lançamento do terceiro curta da série As Tias do Marabaixo, desta vez homenageando Tia Biló. A única filha viva de mestre Julião Ramos, pioneiro do Marabaixo no bairro do Laguinho, completou 90 anos no dia 10 de fevereiro.

No filme hoje lançado, ela aparece cantando um ladrão tradicional de Marabaixo ("É de manhã, é de madrugada"), junto com sua neta Laura do Marabaixo e seu bisneto Iury Soledade, no último dia de festa do Ciclo do Marabaixo do ano passado - 22 de junho de 2014, Dia do Senhor (6º Marabaixo). Nesse dia, eu e o cinegrafista Bruno Simões, da Graphite Comunicação, percorremos as quatro casas onde se celebra o Ciclo (além da casa da Tia Biló, a sede do Grupo do Pavão, também no Laguinho, e as casas da Natalina e da Dica Congó, na Favela). Estávamos fazendo um rápido registro da festa, pouco depois das 18h, hora em que praticamente só estavam no local os membros da Associação Cultural Raimundo Ladislau, quando tia Biló pediu um microfone e começou a cantar os versos do ladrão, surpreendendo a todos! 


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domingo, 8 de março de 2015

No Dia da Mulher, nossa homenagem a Tia Chiquinha

Quando me propus a realizar o documentário As Tias do Marabaixo, fiz questão de que a primeira entrevistada fosse Tia Chiquinha, então com 93 anos. A entrevista aconteceu em sua casa no Curiaú, em 7 de maio de 2014 (no dia seguinte, fazia um ano que havíamos nos conhecido pessoalmente, apresentados pela cantora Patrícia Bastos no "Marabaixo de uma quarta-feira" no Grupo do Pavão, no Laguinho). (Ao lado, foto feita por mim no dia da comemoração do seu 94º aniversário; a festa foi em 27 de junho, comemorado em realidade um dia depois da data correta). 

Quis o destino que a primeira entrevistada fosse também a primeira a deixar este nosso mundo físico. Tia Chiquinha faleceu na última Quarta-Feira de Cinzas, 18 de fevereiro de 2015, no hospital São Camilo, depois de alguns dias internada no Pronto-Socorro de Macapá. Na mesma noite, iniciou o velório, no Curiaú (no mesmo local onde fizéramos nossa entrevista); o enterro aconteceu no dia seguinte, no cemitério São José, no bairro Buritizal. 

Parte da gravação feita no ano passado, na qual contei com a colaboração da equipe da Graphite Comunicação, foi disponibilizada hoje pela primeira vez, Dia Internacional da Mulher, com o lançamento no canal do Som do Norte no YouTube do meu curta "Tia Chiquinha", no qual ela aparece cantando o ladrão de Marabaixo de sua autoria "Eu vou dar a minha caçada", não sem antes contar as circunstâncias que a inspiraram. Também gravamos mais músicas e principalmente um longo depoimento histórico de Tia Chiquinha, que fará parte do longa-metragem As Tias do Marabaixo, com lançamento previsto para este ano.




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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Nos 99 anos de Tia Zefa, entra no ar o primeiro curta do projeto As Tias do Marabaixo

Hoje Tia Zefa (Josefa Lino da Silva), uma das entrevistadas do nosso doc As Tias do Marabaixo, completa 99 anos! 

Para marcar a data, programamos duas ações. A primeira foi a criação de novo cartaz da campanha Vista essa ideia das Camisas Som do Norte, destacando o novo modelo de camiseta com foto da Tia Zefa (cujo lançamento noticiamos em janeiro). O cartaz foi divulgado na página do Facebook do nosso filme à meia-noite de hoje. 

A segunda ação é o lançamento da primeira amostra do documentário! Trata-se do curta Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014 (As Tias do Marabaixo 1), filmado pelo jornalista Fabio Gomes em 20 de novembro do ano passado, primeiro dia do 20º Encontro dos Tambores. O evento, realizado anualmente no Centro de Cultura Negra em Macapá, reúne todos os grupos de Marabaixo e Batuque que atuam no estado do Amapá (uma observação: o radialista Heraldo Almeida propôs recentemente que o Centro receba o nome de Tia Chiquinha, outra entrevistada do nosso doc, falecida em 18 de fevereiro deste ano). Tia Zefa participou da apresentação do Grupo de Batuque Filhos do Criaú, O grupo tem sede no Quilombo do Curiaú, comunidade situada ao Norte de Macapá, onde Tia Zefa passou a infância, sendo criada como irmã de Tia Chiquinha, sua prima de sangue. 



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O produto principal do projeto As Tias do Marabaixo é um documentário de longa-metragem, uma produção Som do Norte dirigida por Fabio Gomes com filmagem e edição da Graphite Comunicação (Macapá). O doc traz entrevistas com Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, além de mostrar a participação de todas em festas do Ciclo do Marabaixo 2014 (as filmagens aconteceram nos meses de maio e junho do ano passado). O material adicional filmado durante o Encontro dos Tambores deve gerar ao menos mais um curta (com imagens da participação de Natalina e Tia Zezé na apresentação do Berço do Marabaixo); sua possível inclusão no longa está sendo avaliada tecnicamente.


sábado, 20 de setembro de 2014

A propósito de Tia Luci


Acima, vemos uma foto da segunda página do livro de visitas à exposição de fotos d' As Tias do Marabaixo no Amapá Garden Shopping, que vai até o próximo dia 30, diariamente no horário de 10 às 22h. 

Como é a primeira vez que tenho um livro de visitas de uma exposição minha, reconheço que não dimensionei bem o espaço para comentários (e também não lembrei de colocar campo para data, confesso que não sei como outros conseguem fazer tantos campos numa página só ;) e no geral os comentários têm sido sucintos, e também elogiosos. 

Um em especial, porém, me chamou a atenção, e creio que merece ser respondido num post no blog do projeto, já que é uma questão de interesse geral de todos os que acompanham o projeto e que apreciam o Marabaixo.

Falo do comentário de Julieta Amaral, de Macapá, que assim se expressou: "Muito bom, mas faltou homenagear Tia Luci e outras que fizeram história". 

Talvez Julieta Amaral não tenha lido o texto que apresenta a exposição (e que está num display no corredor, no sentido de quem vem da entrada principal em direção à exposição, mas colocado de fato um pouco distante do balcão que, para a maioria, acaba sendo o 'marco inicial' do percurso). No texto, eu explico que as filmagens e as fotos foram produzidas no período de maio a junho deste ano, de modo que não poderia haver imagens de Tia Luci, falecida em 15 de agosto de 2013. 

De todo, muito pertinente a observação de Julieta - tão pertinente, aliás, que, na realidade, o projeto As Tias do Marabaixo se constitui numa grande homenagem a Tia Luci. Foi ao saber que não ficaram registros de suas memórias ligadas ao Marabaixo que eu decidi criar o projeto e gravar os depoimentos de Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló. Por isso, o filme será dedicado a Tia Luci, in memoriam. Isto consta da ficha técnica do filme, um texto que deveria ter sido impresso e estar exposto junto às fotos no Amapá Garden. Porém, nem ficha, nem agradecimentos foram impressos, devido a uma falha que só se constatou quando já era o dia da abertura da mostra e não havia mais tempo para corrigir. Em função disso, publicamos aqui no blog a ficha técnica do filme e os agradecimentos da exposição. 


Texto da exposição no Amapá Garden Shopping

Durante o Ciclo do Marabaixo de 2014, foi rodado em Macapá o documentário As Tias do Marabaixo, com direção e roteiro do jornalista Fabio Gomes.

Foram entrevistadas as principais representantes desta secular manifestação cultural afro-amapaense: Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló. O longa-metragem, a primeira realização audiovisual do blog Som do Norte, está em fase de pós-produção e tem lançamento previsto para 2015. As imagens desta exposição retratam momentos de making-off das filmagens.

O Marabaixo é celebrado anualmente no chamado Ciclo do Marabaixo, que se estende por dois meses, do Domingo de Páscoa ao Domingo de Pentecostes, e se constitui na maior tradição cultural do Amapá, ainda pouco conhecida fora do estado. O projeto AS TIAS DO MARABAIXO tem como objetivo auxiliar na difusão em escala nacional desta rica cultura, através do registro de depoimentos com suas principais protagonistas vivas. Os registros darão origem a uma série de produtos: além do longa, prevê-se a edição de cinco curtas-metragens e de dois livros, um com fotos das filmagens e outro com a íntegra dos depoimentos gravados.

Agradeço ao Amapá Garden Shopping a gentil acolhida ao projeto.

Macapá, setembro de 2014
Fabio Gomes
(96) 8124-9871

Ficha técnica do filme e agradecimentos da exposição

FICHA TÉCNICA DO DOCUMENTÁRIO

Direção, roteiro e produção executiva – Fabio Gomes
Argumento - Andreia da Silva Lopes e Fabio Gomes
Entrevistadas - Tia Chiquinha
                        Tia Zefa
                        Natalina
Tia Zezé
                        Tia Biló
Participação especial: Valdinete Costa
Música - Tia Chiquinha, Tia Zefa e Tia Zezé
Filmagem e edição – Graphite Comunicação
Fotografia/cinegrafista - Bruno Vinicius M. Simões, Sidnei Costa e Sady Menescal
Edição e áudio - André Cantuária
Este filme é dedicado a Tia Luci (in memoriam)

AGRADECIMENTOS

Às entrevistadas Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé, Tia Biló, Valdinete Costa e respectivas famílias
Graphite Comunicação
Amapá Garden Shopping
Andreia da Silva Lopes
Associação Cultural Berço do Marabaixo – Barracão Tia Gertrudes
Associação Cultural Raimundo Ladislau - Centro Cultural Tia Biló
Casa do Artesão
Celia Ayres
Chico Terra
Clícia Vieira Di Miceli
Danniela Ramos
Darlyenne Paes
Diário do Amapá
Dira Fonseca
Elízia Congó
Emília Monteiro
Esmeraldina dos Santos
Escola Estadual Oneide Pinto Lima
Germani Barbosa
Grupo Raízes da Favela – Barracão Dica Congó
G1 Amapá
Helida Pennafort
Jaqueline Monteiro
Joãozinho Gomes
Jornal A Gazeta
Kelly Paulino
Laís Maciel
Lara Utzig
Laura do Marabaixo
Márcia Alcântara
Neusa Soares
Osvaldo Simões
Patrícia Bastos
Prsni Nascimento
Raimundo Paulo
Ronaldo Pinto
TV Amapá
Val Milhomem
Wilson Cardoso
Xeniu’s Hotel

E a todos que, direta ou indiretamente, têm contribuído com a realização deste projeto. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Saiba como apoiar o projeto As Tias do Marabaixo

As Tias do Marabaixo
O projeto As Tias do Marabaixo tem como principal realização prevista a edição de um documentário de longa-metragem, no qual se possa colocar a parte mais relevante dos depoimentos que gravamos com Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina (ao centro da foto), Tia Zezé e Tia Biló, além da participação especial de Valdinete Costa. O filme terá ainda cenas de festas do Ciclo do Marabaixo 2014, incluindo o Cortejo da Murta; a previsão de lançamento é durante o ano que vem.

Antes do longa, o material filmado deve dar origem a cinco curta-metragens, um sobre cada uma das entrevistadas, e outro traçando um panorama geral do material completo. Também estão previstos dois livros, um de fotos e outro com a íntegra dos depoimentos.

E de que forma você pode participar de nosso projeto? É muito simples

  • Efetuando uma doação em dinheiro através do serviço PagSeguro - há um botão de pagamento na lateral esquerda do blog. Ao clicar nele, você é encaminhado para uma página do PagSeguro, onde pode escolher a quantia a ser doada, e também escolher a forma de efetuar essa doação - cartão de crédito, depósito bancário, transferência bancária ou boleto. 

Todos os apoiadores terão os nomes divulgados aqui no blog, e também serão incluídos nos agradecimentos do filme.