Projeto de divulgação da memória do Marabaixo, maior tradição cultural do Amapá
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domingo, 2 de outubro de 2016

Exposição "As Tias do Marabaixo", dois anos depois

Fotos: Prsni Nascimento -15.9.14


No dia 15 de setembro, completaram dois anos da abertura da exposição As Tias do Marabaixo no Amapá Garden Shopping (Macapá). A mostra reuniu 16 fotografias de minha autoria e esteve aberta ao público durante todo o horário de funcionamento do shopping, até o final do mês de setembro de 2014 - ou seja, 16 dias ininterruptos. 

É sem dúvida alguma o ponto alto até aqui da minha carreira como fotógrafo. Já defini este evento certa vez como a maior homenagem que já recebi (uma homenagem, aliás, no qual eu presto também a minha homenagem às Tias Biló, Chiquinha, Zefa, Zezé e à dona Natalina). 

Não foi a primeira exibição pública das fotos que fiz durante as filmagens das entrevistas com as Tias (realizadas em maio e junho de 2014 e filmadas pela equipe da Graphite Comunicação, que contratei). A exposição já havia sido mostrada em agosto no Barracão Dona Gertrudes do Berço do Marabaixo e na Escola Estadual Oneide Pinto Lima. Cheguei a propor à gerência de Marketing do shopping que fossem usados os banners que já estavam prontos, porém não foi difícil para Kelly Paulino, que me formulou o convite para expor, me mostrar que este material ficaria meio 'diluído' num espaço grande como os corredores do Garden. Por esse motivo, o shopping bancou o custo de novas ampliações das imagens, em papel fotográfico, sem adicionar seu logotipo ou qualquer outra coisa às fotos, e me presenteando com estas cópias ao final da mostra. Um gesto raro vindo de uma empresa, temos que convir.

Aliás, como um todo, a proposta do estabelecimento era muito além das minhas melhores expectativas - simplesmente foi criado um ambiente dentro do shopping para a exposição.  Quem chegava pela entrada principal primeiro via o cartaz (foto ao lado - a imagem escolhida apresenta Tia Chiquinha ao lado da dançadeira Laís Maciel) e mais adiante, ao final do corredor, encontrava o balcão onde posei para a foto feita pela amiga de sempre Prsni Nascimento, mais dois manequins (um adulto e um infantil) com roupas das dançadeiras do Marabaixo, cedidas por Celia Ayres, e as fotos, fixadas em cavaletes de madeira, cada uma com sua respectiva legenda, e sem nada mais que desviasse a atenção das imagens. Sobre o balcão havia ainda o livro de assinaturas dos visitantes, um manequim com uma das camisas das Tias (as camisas estavam à venda desde agosto; a princípio achei que a exposição iria impulsionar as vendas, mas só uma camisa foi vendida, e ainda assim no último dia) e os cartões-postais, outro presente que recebi do Amapá Garden. Os postais foram uma ideia da própria Kelly, que no dia da reunião onde combinamos tudo sobre a exposição, em 13 de agosto, já tinha prontos alguns modelos. No total, foram 5, que durante o período da mostra eram trocados por notas de compras dentro do shopping.


Kelly Paulino com os postais em homenagem
a Tia Zefa (à esquerda) e Natalina

Procurei estar todos os dias, ao menos por algumas horas, no shopping durante o período da exposição. Recebi a visita de algumas escolas e de duas turmas da Unifap (a Universidade Federal do Amapá, localizada exatamente em frente ao Garden), das professoras Piedade Lino Videira (autora de um importante livro sobre o Marabaixo, lançado em 2009: Marabaixo, dança afrodescendente: significando a identidade étnica do negro amapaense) e Íris Moraes. Várias equipes de reportagem também estiveram no local, seja me entrevistando, seja captando imagens. 

Porém nenhuma visita foi mais importante do que a de três das próprias homenageadas. Tia Zezé esteve presente na abertura (foto acima).

Posteriormente, também foram conferir a exposição as famílias de Tia Zefa e Natalina. 

Josefa Ramos e Tia Zefa - visita à exposição 
em 21.9.14 (Foto: Fabio Gomes)

Natalina apreciando o postal com  sua foto
- 28.9.14 (Foto: Fabio Gomes)


Após o final desta exposição, as fotos encomendadas pelo Garden não foram mais exibidas publicamente. Nas mostras seguintes - tanto aqui em Macapá, na Fortaleza de São José de Macapá e nas escolas estaduais Cecilia Pinto e Raimunda Virgolino, além da Unifap e do Centro Cultural Tia Biló; quanto na itinerância por Tocantins, Bahia e Rondônia -, os visitantes tiveram contato com os banners originais, que têm a vantagem de já terem impressa junto a cada imagem a sua respectiva legenda. 

Tenho certeza que a realização desta exposição, em especial nesse momento em que eu recém acabara de filmar as entrevistas, foi fundamental para a grande repercussão que o projeto As Tias do Marabaixo ganhou junto à sociedade macapaense, gerando mais adiante desdobramentos como o lançamento de uma série de cinco curtas-metragens, em 2015, já exibidos no Amapá, Tocantins, Bahia, Rondônia e Pará (além de mostrados parcialmente em emissoras de televisão do Amapá e do Pará) e o projeto do livro com uma seleção de fotos que fiz de festas de Marabaixo de 2013 até 2016. Estou trabalhando na finalização do livro; a edição propriamente dita depende da captação de valores, mas acredito que ele possa ser lançado até o próximo ano. O projeto será concluído com o lançamento do documentário de longa-metragem, que irá contar com material captado entre 2012 e 2016. Devido ao custo de finalização de um longa ser bastante elevado, não há como estimar no momento uma data para o lançamento deste filme. 

  • Para ver todas as imagens que fazem parte da exposição itinerante As Tias do Marabaixo, clique aqui.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Tia Biló em noite inspirada na Quarta da Murta do Laguinho (veja vídeo)

Quem frequenta as festas de Marabaixo no Centro Cultural Tia Biló, à rua Eliezer Levy, quase esquina José Tupinambá, no bairro do Laguinho, em Macapá, já se acostumou a ver a própria Tia Biló, 91 anos, acompanhando a festa, sentada em sua cadeira junto à parede da sala onde ficam guardadas as coroas do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade. Sempre elegante, com sua flor no cabelo e vestida com as cores escolhidas pela Associação Cultural Raimundo Ladislau para as festas de cada ano, raramente Tia Biló aproveita o momento da festa para entoar ladrões de Marabaixo. Uma das ocasiões recentes em que isso aconteceu, aliás, coincidiu com minha presença junto com a equipe da Graphite Comunicação, em pleno encerramento do Ciclo do Marabaixo de 2014, e deu origem a meu curta-metragem Tia Biló, incluído no ano passado no acervo itinerante do FestCineAmazônia, de Porto Velho. 

Por isso, foi uma grande surpresa quando ontem, após cantar "É de manhã, é de madrugada", o mesmo ladrão registrado no curta, Tia Biló seguiu cantando uma verdadeira antologia de clássicos do Marabaixo, ao longo de quase duas horas - passava um pouco das 19h30 quando ela começou a cantar, e só por volta de 21h30 seu bisneto, Iury Soledade, assumiu o comando da roda. O feito é notável sob todos os aspectos, afinal estamos falando de uma pioneira do Marabaixo no tradicional bairro do Laguinho; única filha viva de Mestre Julião Ramos, Benedita Guilherma Ramos há 57 anos comanda, nessa mesma casa, os festejos do Ciclo do Marabaixo. 

Durante todo o tempo que tia Biló cantou, numa noite de Quarta-Feira da Murta do Divino Espírito Santo (festa que só acaba ao amanhecer, com o levantamento do mastro em honra ao Divino), os tocadores da Associação Raimundo Ladislau e os da visitante Associação Raízes da Favela permaneceram em volta da cadeira da matriarca, dispostos num semicírculo, claramente indicando uma deferência ao momento tão especial, já que o usual é que os tocadores, juntamente com dançadores e dançadeiras, dancem em círculos pelo salão, no sentido anti-horário. Outra providência adotada especialmente para o momento ímpar foi o cadenciamento das caixas de Marabaixo, que eram tocadas mais suavemente enquanto Biló cantava os versos dos ladrões, e mais forte no momento em que cantadores como Munjoca Ramos, Alan Cruz, Iury Soledade, Wendel Santos, Fábio Sacaca, Cássia Pechorz e até a ultrajovem Victória Congó (5 anos) respondiam no coro. 

Entre os sucessos interpretados por Tia Biló, podemos citar "Aonde Tu Vai, Rapaz?", "Irmã Catita", "Lírio Roxo", "Nêgo" e "Guadariõ - nestes últimos, Iury começou a dividir o vocal com sua bisavó, vindo em seguida a assumir o comando da roda, já no formato tradicional que é tão peculiar do Marabaixo em que cantadores, tocadores e dançadeiras rodam continuamente (em outras danças, o mais comum é que quem toca não dance ao mesmo tempo). 

Ao longo destas duas horas, várias pessoas estiveram gravando ao menos parte do canto de Biló - até uma equipe de reportagem da TV Amapá se fez presente em dado momento. Das 1h15 que gravei em vídeo (até que a imprevisível bateria da minha filmadora de bolso me deixou na mão, quando então recorri ao gravador de voz de meu celular), selecionei para dividir com vocês hoje este momento em que Tia Biló canta um ladrão de sua madrinha, Tia Zefa, que há pouco, em 26 de fevereiro, completou 100 anos (sim!!) - trata-se de "Mamãe, Minha Rica Mãe". Uma bela amostra de uma noite que não será esquecida tão cedo! 




Clique na imagem

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Agenda: Eventos em Rondônia e no Pará



Neste final de semana, o projeto As Tias do Marabaixo será destaque em dois eventos realizados em diferentes estados da região Norte.

No sábado, 7 de novembro, a partir das 20h, os cinco curta-metragens dirigidos por Fabio Gomes abrem o Sabailinho - Seu bailinho de sábado, realizado no Azul com Laranja, em Porto Velho (RO). Também haverá um sarau aberto de poesia e música com o grupo 3DNós, e uma performance musical do percussionista Bira Lourenço.



  • Um dia antes, na sexta, 6/11, em Paragominas (PA), estas duas fotos que integram a exposição As Tias do Marabaixo estarão no "varal fotográfico" do Wasabi Pocket Show, uma iniciativa da artista Mai Momonuki que inicia a partir das 16h na praça Célio Miranda. Além de Mai, irão se apresentar Rafael Costa, Diego Rodrigues, Filipe Santos e Maués. Outros artistas irão dar canjas, e haverá ainda um recital de poesias. A própria Mai Momonuki selecionou estas duas fotos de Fabio Gomes para o evento. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Apresentações do projeto na Bahia


Cuiabá - A viagem para divulgação do projeto As Tias do Marabaixo junto a entidades culturais que possam vir a contratar a mostra das fotos e dos curtas-metragens se aproxima do final. Saí de Macapá em junho, logo após as comemorações do Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho) e devo estar de volta para o Encontro dos Tambores (segunda quinzena de novembro). 

Na viagem, passei inicialmente por Belém, Palmas, Paraíso do Tocantins (onde fiz a primeira mostra do projeto fora do Amapá), dali seguindo para a Bahia, onde planejava ficar 3 semanas e acabei permanecendo 3...meses. A estada prolongada na chamada "Boa Terra", além de muito agradável em termos pessoais, também me ajudou a dar uma nova cara ao projeto. Foi em Salvador que estruturei uma nova atividade cultural, a minha Oficina de Cinema Independente, onde divido com os participantes minha experiência em ter realizado os curtas d'As Tias, falando sobre cinema independente, montagem e finalização, festivais de cinema e mercado exibidor. 

Chegando a Salvador em 24 de julho, de imediato contatei as Secretarias de Cultura, no âmbito municipal e estadual e obtive os contatos do principal SESC da cidade (o Sesc-Senac Pelourinho), que me informou que receberia projetos culturais apenas a partir de novembro. Da capital, portanto, eu poderia ir a Jequié, cidade próxima a Vitória da Conquista, onde já estava acertada uma exibição dos curtas, e dali seguir viagem para outros estados. A ida a Jequié, porém, teve algumas mudanças de data: seria em 6 de agosto, ficou para o dia 13 e, devido a uma paralisação de funcionários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), acabou transferida para 11 de setembro. Essa pausa foi muito bem aproveitada, devo dizer: usei-a para estruturar o conteúdo da Oficina de Cinema, e já comecei a oferecer sua realização para diversas instituições culturais e também de ação social da Bahia. Também coloquei a Oficina à disposição da UESB, de modo que a ida a Jequié em setembro não era mais apenas para exibir os curtas, mas também para realizar na cidade a primeira edição da Oficina. Lá, entre os dias 11 e 13 de setembro, exibi os curtas-metragens d'As Tias do Marabaixo pela primeira vez fora da região Norte, e aproveitei para rodar mais um curta com temática negra e feminina: Você é África, Você é Linda, lançado no YouTube em outubro. Meus agradecimentos à direção da UESB e a Selma de Oliveira, que fez a produção local da Oficina e também atuou no meu novo curta. 


Exibição dos curtas em Jequié - 11.9.15


De volta a Salvador, optei por ficar mais um mês, a fim de contatar instituições dos dois campos (social e cultural) que pudessem se interessar tanto pelo projeto Tias do Marabaixo quanto pela Oficina de Cinema. Aproveitei também alguns eventos, como o seminário Juventude Negra de Terreiro - Desafios do Mundo do Trabalho, realizado no Centro Cultural da Câmara de Salvador em 25 de setembro, para divulgar as duas iniciativas. 

Quando minha estada se aproximava do final, tive uma agradável surpresa: a Diretoria de Bibliotecas Públicas do Estado da Bahia, um dos órgãos da Secretaria Estadual da Cultura, me convidou para apresentar o projeto na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, no bairro dos Barris. Trata-se da mais antiga biblioteca do Brasil, em funcionamento ininterrupto desde 1811. A princípio, os curtas seriam incluídos em uma das sessões regulares de cinema promovidas pela Biblioteca, programada para o dia 14 de outubro. Mas a direção da Dibip optou por fazer um evento especificamente para mostrar na capital baiana as fotos e os curtas d'As Tias do Marabaixo, no dia 13 de outubro, o que muito me honra e mostra o respeito que esta instituição cultural baiana tem pelo projeto que divulga a cultura popular do Amapá. Na foto que abre o post, vemos alunas do Colégio Estadual Senhor do Bonfim, de Salvador, visitando a exposição de fotos, montada no corredor da Biblioteca. Na foto abaixo, apareço conversando com estudantes desta mesma escola, após a exibição dos filmes. No espaço para perguntas, os jovens baianos se mostraram curiosos sobre se haveria presença de culto aos orixás do Candomblé nas festas de Marabaixo (ao que respondi que não, o Ciclo do Marabaixo festeja o Divino Espírito Santo e a Santíssima Trindade). 

Não há como descrever a minha satisfação ao ouvir estes adolescentes nordestinos se dizendo encantados com a vitalidade de Tia Zefa. Ou definindo como "divo" o chapéu que Tia Chiquinha costumava usar. Ou ainda cantando, ao sair da sala de projeção, o refrão da música que faz parte do curta que homenageia Tia Biló: É de manhã, é de madrugada... 

Nesta reta final da viagem, com tempo menor de permanência nas etapas seguintes (Goiânia e Cuiabá, onde me encontro), estou priorizando os contatos com as instituições culturais, mas ainda devem acontecer apresentações do projeto em Rondônia (a confirmar) e Roraima nas próximas semanas. Informarei assim que puder!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Projeto As Tias do Marabaixo é destaque em revista e site

Nesta semana, o projeto As Tias do Marabaixo foi destaque em outras mídias. Primeiramente, na revista Vanguarda Cultural - Uma Odisseia nos Trópicos, em sua primeira edição de 2015. A revista é editada em Macapá pelo artista Aroldo Pedrosa, que me convidou para escrever sobre o projeto em homenagem às senhoras do Marabaixo. Eram os primeiros dias de março, e escolhi para ilustrar a matéria duas fotos que eram até então rigorosamente inéditas - uma delas, na qual aparece Tia Chiquinha com uma bandeira do Brasil ao fundo, foi utilizada como imagem final do curta Tia Chiquinha, lançado em 8 de março.

O mesmo texto, com ligeiras adaptações, foi publicado na minha estreia como colunista do site Digestivo Cultural, de São Paulo, onde semanalmente irei relatar a itinerância do projeto. Clique aqui para ler. 





***

AS TIAS DO MARABAIXO,
O PROJETO


Em 15 de setembro de 2014, foi inaugurada no Amapá Garden Shopping, em Macapá, minha primeira exposição individual de fotos, intitulada As Tias do Marabaixo. Durante uma quinzena, os visitantes do local puderam ver 16 fotos minhas retratando Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, então os maiores nomes vivos do Marabaixo (Tia Chiquinha veio a falecer recentemente, em 18 de fevereiro). Até o final do ano passado, a exposição percorreu algumas escolas da capital e permaneceu 10 dias na Galeria de Arte do Museu Fortaleza de São José - nem em sonho eu imaginei que um dia meu trabalho estaria exposto num prédio histórico do século 18! Neste 13 de maio, 127 anos da Abolição da Escravatura, a exposição volta a ser exibida ao público, em outro lugar da maior importância: a casa onde viveu Mestre Julião Ramos, pioneiro do Marabaixo do Laguinho e pai de Tia Biló.



Tia Chiquinha (de chapéu), Josefa Ramos (com o microfone)
e Tia Zefa (com a flor azul no cabelo) - 22.6.14


O projeto, porém, é bem mais abrangente (talvez o termo certo seja "ambicioso") do que apenas uma reunião de fotos - creio que basta dizer que as imagens expostas foram selecionadas de um total de mais de 3.600... Boa parte delas foi captada durante as filmagens de entrevistas com as senhoras citadas, e também em festas do Ciclo do Marabaixo 2014. O material filmado dará origem a um documentário de longa-metragem e cinco curtas, cada um deles dedicado a uma das entrevistadas. O primeiro curta, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014, foi lançado em 26 de fevereiro, dia em que a homenageada completou 99 anos. O quinto e último curta, em homenagem a Tia Zezé, foi lançado em 21 de abril. Já em relação ao longa não há como fixar uma data no momento. Classifiquei o projeto como "ambicioso" em virtude das outras ações previstas - além da exposição e dos filmes (e de uma coleção de camisetas temáticas), pretendo lançar dois livros, um com uma seleção de fotos, outro com a íntegra dos depoimentos captados, isso sem falar no lançamento, é claro, dos próprios filmes, curtas e longa, em DVD.


A ideia do filme começou a nascer em 8 de maio de 2013, quando, levado pela cantora Patrícia Bastos, estive na festa da Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo nas duas casas do bairro do Laguinho que a celebram: primeiro fomos à casa da Tia Biló, passando depois rapidamente pela sede do Grupo do Pavão, onde Patrícia me apresentou à Tia Chiquinha. A festa, o ambiente, a sensação de estar presenciando uma tradição viva e muito rica, sem similar com nada que eu já houvesse visto em minhas andanças pelo Brasil, me animaram a pensar numa série de entrevistas com estas senhoras que dedicaram sua vida ao Marabaixo, ajudando desta forma a preservar e difundir suas lembranças. Inicialmente, porém, eu planejava fazer as entrevistas em áudio, para veiculá-las em meu blog Som do Norte. Felizmente minha amiga Andreia da Silva Lopes, sobrinha de Tia Zefa, sugeriu que eu captasse o material em vídeo. "Sendo assim", respondi, "não tem porque restringir o material ao meu blog. Vamos fazer um filme logo duma vez!". Entrei em contato com a Graphite Comunicação, que recentemente lançara um clipe de animação de "Mal de Amor", e acertamos nove dias de gravação durante o Ciclo do Marabaixo de 2014. A primeira gravação foi no Curiaú, uma entrevista com Tia Chiquinha, em 7 de maio, praticamente um ano após a noite em que nos conhecemos. 

Depois ouvimos, pela ordem, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé (com quem gravamos numa noite de Marabaixo no Barracão Gertrudes Saturnino, no antigo bairro da Favela, hoje Santa Rita) e Tia Biló; além de quatro noites de festa, cobrimos também o Cortejo da Murta, que reúne grupos de Marabaixo de Macapá e cidades vizinhas, que vão da orla do Rio Amazonas até a Igreja de São José para buscar a bênção para os brincantes do Marabaixo. Esta tradição, interrompida nos anos 1940 quando o padre Júlio Maria Lombaerd impediu que os negros entrassem tocando caixa na igreja, foi retomada em 2012. O último dia de filmagens no Ciclo, 27 de junho, coincidiu com a data da festa pelos 94 anos de Tia Chiquinha (na verdade, completados na véspera). Posteriormente, em novembro, registrei em foto e vídeo quatro dias do 20º Encontro dos Tambores (que teve imagens utilizadas nos curtas sobre Tia Zefa, Natalina e Tia Zezé). 

O primeiro semestre de 2015 será dedicado ao lançamento dos curtas e sua exibição, bem como a continuidade da circulação da exposição, por instituições de ensino e espaços culturais de Macapá, além, é claro, dos barracões onde se realizam os festejos do Ciclo do Marabaixo. Para o segundo semestre, a intenção é, simultaneamente à preparação do longa-metragem, circular com os curtas por festivais de cinema Brasil afora.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Nos 99 anos de Tia Zefa, entra no ar o primeiro curta do projeto As Tias do Marabaixo

Hoje Tia Zefa (Josefa Lino da Silva), uma das entrevistadas do nosso doc As Tias do Marabaixo, completa 99 anos! 

Para marcar a data, programamos duas ações. A primeira foi a criação de novo cartaz da campanha Vista essa ideia das Camisas Som do Norte, destacando o novo modelo de camiseta com foto da Tia Zefa (cujo lançamento noticiamos em janeiro). O cartaz foi divulgado na página do Facebook do nosso filme à meia-noite de hoje. 

A segunda ação é o lançamento da primeira amostra do documentário! Trata-se do curta Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014 (As Tias do Marabaixo 1), filmado pelo jornalista Fabio Gomes em 20 de novembro do ano passado, primeiro dia do 20º Encontro dos Tambores. O evento, realizado anualmente no Centro de Cultura Negra em Macapá, reúne todos os grupos de Marabaixo e Batuque que atuam no estado do Amapá (uma observação: o radialista Heraldo Almeida propôs recentemente que o Centro receba o nome de Tia Chiquinha, outra entrevistada do nosso doc, falecida em 18 de fevereiro deste ano). Tia Zefa participou da apresentação do Grupo de Batuque Filhos do Criaú, O grupo tem sede no Quilombo do Curiaú, comunidade situada ao Norte de Macapá, onde Tia Zefa passou a infância, sendo criada como irmã de Tia Chiquinha, sua prima de sangue. 



Clique na imagem


O produto principal do projeto As Tias do Marabaixo é um documentário de longa-metragem, uma produção Som do Norte dirigida por Fabio Gomes com filmagem e edição da Graphite Comunicação (Macapá). O doc traz entrevistas com Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló, além de mostrar a participação de todas em festas do Ciclo do Marabaixo 2014 (as filmagens aconteceram nos meses de maio e junho do ano passado). O material adicional filmado durante o Encontro dos Tambores deve gerar ao menos mais um curta (com imagens da participação de Natalina e Tia Zezé na apresentação do Berço do Marabaixo); sua possível inclusão no longa está sendo avaliada tecnicamente.


sábado, 24 de janeiro de 2015

Tia Zefa homenageada em nova camiseta



Ficou pronta ontem nossa nova camiseta d'As Tias do Marabaixo, desta vez homenageando Tia Zefa. O novo modelo foi um pedido da própria família da homenageada, que completa 99 anos em fevereiro. 

A foto, de autoria de Fabio Gomes, flagrou um momento de descanso de Tia Zefa durante a festa do 3º Marabaixo (a Quarta-Feira da Murta), no Centro Cultural Tia Biló (bairro do Laguinho, Macapá), em 28 de maio do ano passado. 



sábado, 10 de janeiro de 2015

Participação na homenagem ao Dia do Fotógrafo

Hoje o fotoclube Fotógrafos Anônimos, de Macapá, realizou uma "intervenção fotohomenagem" para comemorar o Dia do Fotógrafo, que ocorreu no dia 8. Já de manhã cedo integrantes do coletivo estavam na alameda Francisco Serrano, no centro da capital, para colocar em muros, varais e garrafas (!) trabalhos que diversos fotógrafos encaminharam ao longo da semana. Participamos com um postal com a foto de Tia Zefa, imagem esta que faz parte de nossa exposição itinerante As Tias do Marabaixo. As fotos permaneceram em exposição até o final da tarde. 

Montagem da exposição



domingo, 16 de novembro de 2014

Campanha Vista essa ideia homenageia Semana da Consciência Negra



Na próxima quinta-feira, 20 de novembro, comemora-se em todo o Brasil o Dia da Consciência Negra, lembrando o dia em que, em 1695, Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares, foi assassinado pelas tropas portuguesas comandadas pelo capitão Furtado de Mendonça. 

A data é lembrada na primeira peça promocional da campanha Vista essa ideia, das Camisas Som do Norte, que faz referência ao projeto As Tias do Marabaixo. O cartaz apresenta a imagem de duas entrevistadas pelo filme dirigido pelo jornalista Fabio Gomes: Tia Biló, de 89 anos, e Tia Zefa, 98. Na imagem, Biló, afilhada de Zefa, lhe toma a bênção. A escolha da imagem para o cartaz desta semana reforça os conceitos de respeito, tradição, espiritualidade e valorização da população negra da Amazônia. 

Este e os outros seis modelos de camiseta estão disponíveis para aquisição para todo o Brasil através da Loja virtual Som do Norte. (OBS: A partir de 12.4.15, a Loja passou a comercializar apenas o CD Bem que Podia. )

"Ao adquirir nossos produtos, além de valorizar a cultura da Amazônia, você auxilia na manutenção de nosso site e na realização do meu filme As Tias do Marabaixo, com lançamento previsto para 2015", informa Fabio Gomes.

domingo, 21 de setembro de 2014

Galeria: Tia Zefa visita a exposição As Tias do Marabaixo


Na tarde deste domingo, Tia Zefa esteve visitando a exposição de fotos As Tias do Marabaixo  no Amapá Garden Shopping. A exemplo de Tia Zezé, que esteve na abertura da mostra no dia 15, Tia Zefa não havia estado anteriormente no shopping. 

Acompanhada de diversos familiares (entre filhas, netos e bisnetos), tia Zefa conferiu as fotos em que aparece, sendo uma ao lado de Tia Chiquinha, sua irmã de criação, e outra junto a Tia Biló, sua afilhada. 




Tanto Tia Zefa quanto sua família parabenizaram o jornalista Fabio Gomes pela iniciativa, e lhe agradeceram por estar se dedicando este projeto. Josefa Ramos, filha de Tia Zefa que mora atualmente em Belém, destacou que nunca foi realizado antes em Macapá um projeto desta natureza envolvendo figuras do Marabaixo. 





Tia Zefa esteve por duas horas no estande da exposição, e recebeu de presente a coleção completa de cinco postais (dois dos quais com fotos suas) criados por iniciativa do Amapá Garden. Amanhã, Fabio Gomes entregará a Tia Zefa em sua residência a camiseta na qual ela aparece abençoando Tia Biló. 



Outra visita: Laís Maciel


Quem também esteve visitando a exposição, no sábado, foi a jovem Laís Maciel, que este ano participou do Ciclo do Marabaixo no grupo Raízes da Favela, e cuja foto ao lado de Tia Chiquinha foi escolhida para ser o cartaz da atual exposição e também um dos postais. 

domingo, 3 de agosto de 2014

Mais duas fotos da exposição As Tias do Marabaixo (final)

Completamos com as duas imagens abaixo a publicação completa das fotos de Fabio Gomes que integram a mostra As Tias do Marabaixo. 

O material foi clicado durante as filmagens de seu documentário de mesmo nome, com entrevistas com figuras históricas do Marabaixo amapaense - Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló. O documentário de longa-metragem rodado em Macapá nos meses de maio e junho deste ano deverá ser lançado em 2015. 

Para levar a exposição para sua escola ou eventos, entre em contato pelo fone 96-8124-9871. 



Tia Zezé e Natalina acompanham a ladainha
Barracão Gertrudes Saturnino (Favela), 8.6.14 (4º Marabaixo)



Tia Zefa canta com Elízia Congó, sob o olhar atento de Tia Chiquinha
Barracão Dica Congó (Favela), 25.5.14 (2º Marabaixo)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Mais duas fotos da exposição As Tias do Marabaixo (5)

A nossa publicação das fotos da exposição As Tias do Marabaixo, de Fabio Gomes, entra no antepenúltimo dia. São 18 imagens que mostram as mais representativas figuras históricas vivas do Marabaixo amapaense - Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló - em eventos do Ciclo do Marabaixo 2014.

O projeto As Tias do Marabaixo visa documentar e divulgar para um público maior o Marabaixo, secular manifestação cultural afro-amapaense. O documentário de longa-metragem rodado em Macapá nos meses de maio e junho deste ano deverá ser lançado em 2015. 

Uma das atividades paralelas geradas pelo filme é a exposição As Tias do Marabaixo, que já foi apresentada no Barracão Gertrudes Saturnino da Associação Berço do Marabaixo e que está disponível para apresentação em escolas e eventos, mediante agendamento pelo fone 96-8124-9871. 

Abaixo, mais duas imagens que integram a mostra. 



Tia Zefa
Barracão Dica Congó (Favela), 25.5.14 (2º Marabaixo)



Natalina com um ramo de murta
Barracão Gertrudes Saturnino (Favela), 8.6.14 (4º Marabaixo)



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Mais duas fotos da exposição As Tias do Marabaixo (3)

Seguimos divulgando fotos da exposição itinerante As Tias do Marabaixo, feitas pelo jornalista Fabio Gomes durante as filmagens de seu documentário também intitulado As Tias do Marabaixo, com estreia prevista para 2015.

Para levar a exposição para sua escola ou evento, entre em contato pelo fone 96-8124-9871. 




Guardas territoriais conduzem Natalina ao palco 
da missa campal do Cortejo da Murta 
Avenida São José, 1.6.14



Tia Zefa
Centro Cultural Tia Biló (Laguinho), 28.5.14 (3º Marabaixo)

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mais duas fotos da exposição As Tias do Marabaixo

Seguimos divulgando aqui no blog fotos da exposição itinerante As Tias do Marabaixo, que foi exibida publicamente pela primeira vez neste sábado em Macapá no barracão Gertrudes Saturnino, da Associação Berço do Marabaixo. 

A exposição traz imagens de making-off das filmagens do documentário As Tias do Marabaixo; rodado em Macapá durante o Ciclo do Marabaixo 2014, o filme tem estreia prevista para 2015.

Para levar a exposição para sua escola ou seu evento, entre em contato pelo fone 96-8124-9871. 



Tia Zefa (ao lado dela, tocando caixa, Nena Silva)
Barracão Dica Congó (Favela), 25.5.14 (2º Marabaixo)





Natalina beija a coroa do Divino Espírito Santo 
Cortejo da Murta, Avenida São José, 1.6.14

sábado, 26 de julho de 2014

Veja fotos da exposição As Tias do Marabaixo

Durante o Ciclo do Marabaixo de 2014, foi rodado em Macapá o documentário As Tias do Marabaixo, com direção e roteiro do jornalista Fabio Gomes, editor deste blog, e filmagem e edição da Graphite Comunicação. Foram entrevistadas as principais representantes vivas desta secular manifestação cultural afro-amapaense: Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina Costa, Tia Zezé e Tia Biló. 

O filme está em fase de pós-produção e tem lançamento previsto para 2015. 

Para divulgar o doc, 18 fotos feitas por Fabio Gomes durante as filmagens farão parte de uma exposição itinerante, composta por 10 banners no tamanho 70x100cm. Nos próximos nove posts, estaremos publicando em cada um deles  duas fotos que fazem parte da exposição.

A primeira exibição pública dos banners irá acontecer neste sábado, 26, em evento realizado no barracão Gertrudes Saturnino (Associação Berço do Marabaixo - Casa da Dona Natalina Costa - Av. Duque de Caxias entre Professor Tostes e Manoel Eudóxio), a partir das 16h.

Para levar a exposição para sua escola ou seu evento, entre em contato pelo fone 96-8124-9871. 




Tia Biló toma a bênção de sua madrinha Tia Zefa
Centro Cultural Tia Biló (Laguinho), 28.5.14 (3º Marabaixo)



Natalina no Cortejo da Murta
Avenida Beira-Rio, 1.6.14

domingo, 22 de junho de 2014

Filmagens de As Tias do Marabaixo na reta final

Tia Biló

Hoje acabou em Macapá o Ciclo do Marabaixo 2014. Acompanhado de um câmera da Graphite Comunicação, o Bruno, percorri as quatro casas (duas no Laguinho e duas na Favela, antigo nome do bairro Santa Rita) que realizam os festejos do Ciclo. Filmamos inicialmente a descida dos mastros na casa de Natalina Costa e um pequeno cortejo no barracão do Pavão, antes de rumarmos para o Centro Cultural Tia Biló. 

Poucos minutos depois que havíamos chegado, fomos surpreendidos pela própria Tia Biló, que pediu o microfone e cantou um ladrão de marabaixo, acompanhada no coro por outros cantadores, como seu bisneto Iuri Soledade, festeiro deste ano. Um momento único! 

Saindo dali, fomos para o barracão Dica Congó, onde perto das 19h presenciamos outro momento memorável: Tia Chiquinha e Tia Zefa cantando juntas, inclusive versando com a festeira Elízia Congó, tudo devidamente filmado. Mais tarde, por volta das 20h, Tia Chiquinha e Tia Zefa voltaram a cantar, mas nesse momento eu já havia dispensado o Bruno. Mas tudo bem, o momento valeu para quem estava presente.

Para cumprir o cronograma previsto de filmagens, falta ainda uma entrevista, a partir daí começamos a pós-produção do doc As Tias do Marabaixo. Porém é cedo ainda para prever quando o filme estará pronto para exibição. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Seguem as gravações do doc As Tias do Marabaixo


Foto: André Cantuária

No começo da tarde desta quarta, estive com uma equipe da Graphite Comunicação (formada por Sady Menescal - câmera e André Cantuária - som) na casa de Tia Zefa, no bairro do Laguinho (Macapá), gravando a segunda entrevista do meu documentário As Tias do Marabaixo.

Tia Zefa completou 98 anos em fevereiro e é irmã de criação de Tia Chiquinha, nossa primeira entrevistada.